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20.3.11

PROVA 13: O DEPOIMENTO DAS TESTEMUNHAS ESPECIAIS DO LIVRO DE MÓRMON

            Joseph Smith foi escolhido por Deus para traduzir o Livro de Mórmon. Por isso apenas ele podia ter acesso as placas de ouro, onde estava o relato antigo. Entretanto, o Senhor permitiu que mais pessoas vissem e tocassem as placas. Isso, também, estava profetizado: 
"Portanto, no dia em que o livro for entregue ao homem de quem falei, o livro será escondido dos olhos do mundo para que ninguém o veja, exceto três testemunhas, além daquele a quem o livro será entregue; e vê-lo-ão pelo poder de Deus; e eles testificarão a veracidade do livro e das coisas que ele contém.
E ninguém mais o verá, senão uns poucos, de acordo com a vontade de Deus, para dar testemunho de suas palavras aos filhos dos homens, pois o Senhor Deus disse que as palavras dos fiéis falariam como se viessem dos mortos.
Portanto o Senhor Deus revelará as palavras do livro e, pela boca de tantas testemunhas quantas achar necessário estabelecerá a sua palavra; e ai do que rejeitar a palavra de Deus!" (2 Néfi 27:12-14)
            Aparentemente Morôni estava instruindo diretamente a Joseph Smith, muitos séculos antes dele aparecer como anjo ressurreto ao jovem, na seguinte escritura:
"E eis que poderás ter o privilégio de mostrar as placas àqueles que irão ajudar a trazer à luz esta obra.
E serão mostradas a três, pelo poder de Deus; portanto eles saberão com certeza que estas coisas são verdadeiras.
E, pela boca de três testemunhas, estas coisas serão estabelecidas; e o testemunho de três e esta obra, na qual será demonstrado o poder de Deus e também a sua palavra, da qual o Pai e o Filho e o Espírito Santo dão testemunho---e tudo isto se levantará como um testemunho contra o mundo no último dia" (Éter 5:2-4).
            Logo nas primeiras páginas do Livro de Mórmon lemos o Depoimento de Três Testemunhas, e depois o Depoimento de Oito Testemunhas. As três primeiras testemunhas são: Oliver Cowdery, David Whitmer e Martin Harris. Os três foram amigos próximos do Profeta na época da tradução. O que leva os céticos a duvidarem que seu testemunho seja autentico. Entretanto deve-se mencionar que os três se afastaram da Igreja e do Profeta nos anos posteriores, mas nunca negaram seu testemunho sobre o Livro de Mórmon. Explicarei mais detalhadamente esses fatos.
"Pouco depois de Joseph Smith ter traduzido os escritos de Néfi que mencionam a necessidade de testemunhas (Ver 2 Néfi 27:12-14; Éter 5), Martin Harris foi de Palmyra a Fayette para perguntar a respeito do andamento da tradução. Martin, Oliver Cowdery e David Whitmer pediram a Joseph que orasse e perguntasse ao Senhor se eles poderiam ser as testemunhas prometidas. Joseph consultou o Senhor e recebeu uma revelação na qual lhes foi dito que se exercessem fé e o fizessem “de todo o coração” teriam o privilégio de ver as placas sagradas, o peitoral, a espada de Labão, o Urim e o Tumim usados pelo irmão de Jarede e a Liahona — “os guias milagrosos que foram dados a Leí enquanto estava no deserto” (D&C 17:1). O Senhor declarou: “É por vossa fé que os vereis, sim, por aquela fé que possuíam os profetas da antigüidade”. (D&C 17:2) O Senhor também lhes disse que depois de verem esses objetos, teriam o dever de prestar testemunho dessas coisas ao mundo.
Assim que terminou a tradução, Joseph Smith enviou uma mensagem a seus pais em Manchester, pedindo-lhes que fossem até a casa da família Whitmer, em Fayette. Quando chegaram, acompanhados de Martin Harris, passaram uma noite agradável lendo o manuscrito. Na manhã seguinte, as futuras testemunhas e outras pessoas que estavam hospedadas com a família Whitmer reuniram-se para realizar os costumeiros serviços de adoração matinais, ler as escrituras, cantar hinos e orar. Lucy escreveu: “Joseph ergueu-se e aproximou-se de Martin Harris, com uma solenidade que ainda hoje me faz gelar o sangue nas veias; nessa ocasião, pelo que me lembro, ele disse: ‘Martin Harris, você deve humilhar-se perante Deus neste dia, para que receba o perdão de seus pecados. Se assim o fizer, é a vontade do Senhor que veja as placas, em companhia de Oliver Cowdery e David Whitmer’”.
Depois disso, os quatro homens retiraram-se para o bosque e procuraram receber a revelação prometida. Depois de duas tentativas frustradas, porém, Martin Harris sentiu que sua presença era a causa do fracasso em receber uma resposta. Afastou-se até certa distância do grupo e começou a orar sozinho. Os outros três nem bem haviam retomado suas orações, quando Morôni lhes apareceu com as placas nas mãos. Joseph relata: “Ele virou as folhas uma por uma, de modo que pudéssemos vê-las e distinguir os caracteres nelas gravados (...) Ouvimos uma voz proveniente da luz brilhante acima de nós, dizendo: ‘Estas placas foram reveladas e traduzidas pelo poder de Deus. Sua tradução está correta, e ordeno-vos que testemunheis o que agora vistes e ouvistes.’ Deixei David e Oliver sozinhos e fui procurar Martin Harris. Encontrei-o
orando fervorosamente, a uma distância considerável de onde estávamos. Disse-me, entretanto, que ainda não havia recebido uma resposta do Senhor e pediu-me encarecidamente que orasse com ele, para que também alcançasse as mesmas bênçãos que acabáramos de receber.
Assim fizemos e por fim alcançamos nosso objetivo, pois antes de terminarmos a oração, a mesma visão abriu-se a nossos olhos, pelo menos para mim, e vi e ouvi as mesmas coisas; nesse instante, Martin Harris exclamou em alta voz, aparentemente em êxtase: ‘É o bastante; é o bastante; meus olhos viram; meus olhos viram’.
Quando Joseph voltou para a casa da família Whitmer, falou aos pais do alívio que sentira pelo fato de outras pessoas terem visto o anjo e as placas e por saber que essas pessoas dali por diante teriam o dever de prestar testemunho dessas coisas. Joseph disse: “Agora eles sabem por si mesmos que não estou enganando as pessoas. Sinto como se uma carga quase insuportável tivesse sido tirada de meus ombros. Minha alma está extremamente feliz, pois não estou mais sozinho no mundo”.  As três Testemunhas prestaram o seguinte depoimento de sua experiência: “(...) Nós, pela graça de Deus, o Pai, e de nosso Senhor Jesus Cristo, vimos as placas que contêm este registro (...). E sabemos também que foram traduzidas pelo dom e poder de Deus, porque assim nos foi declarado por sua voz; sabemos, portanto, com certeza, que a obra é verdadeira”.
Testificaram também que o anjo lhes mostrara os caracteres gravados nas placas. Seu testemunho foi incluído em todas as edições do Livro de Mórmon desde aquela época. Poucos dias depois, oito homens fiéis que apoiaram o Profeta durante a tradução foram escolhidos para serem testemunhas e verem as placas. Foram eles: o pai de Joseph Smith, Joseph Smith Sênior; os irmãos de Joseph, Hyrum e Samuel; quatro dos irmãos Whitmer, Christian, Jacob, Peter e John; e um cunhado dos Whitmer, Hiram Page. Joseph recebeu a permissão de mostrar-lhes as placas num local próximo da residência da família Smith, em Manchester, onde Joseph estava para fazer os acertos necessários para a publicação do livro. As Oito Testemunhas testificaram que manusearam e seguraram as placas e viram os caracteres gravados nas folhas. Seu testemunho também está incluído em todas as edições publicadas do Livro de Mórmon. Desse modo, de acordo com a lei divina das testemunhas, a veracidade do Livro de Mórmon foi mais uma vez confirmada e os habitantes da Terra serão considerados responsáveis pelas coisas nele contidas.
Todas as onze testemunhas especiais das placas do Livro de Mórmon serviram em importantes chamados eclesiásticos na Igreja restaurada. Cinco deles — Christian Whitmer, Peter Whitmer Jr. e os três da família Smith — serviram ativamente na Igreja até o dia de sua morte. Todas as Três Testemunhas — Martin Harris, Oliver Cowdery e David Whitmer — acabaram afastando-se da Igreja. John e Jacob Whitmer e Hiram Page, das Oito Testemunhas, também abandonaram a fé. Nenhum desses seis
homens, contudo, jamais negou seu testemunho, apesar de terem tido muitas oportunidades para fazê-lo. Todos confirmavam firmemente a veracidade de seu testemunho, sempre que isso lhes era perguntado. Oliver Cowdery e Martin Harris mais tarde voltaram para a Igreja e permaneceram ativos até o dia de sua morte." ("Testemunhas do Livro de Mórmon" História da Igreja na Plenitude dos Tempos, pg. 59-61)
            O élder Dallin H. Oaks disse sobre as três testemunhas:
"As pessoas que não aceitam a possibilidade de existirem seres sobrenaturais rejeitam esse extraordinário testemunho, mas aqueles que são abertos para acreditar em experiências miraculosas acham-no persuasivo. O solene depoimento de três testemunhas, dado por escrito, a respeito do que viram e ouviram (duas delas simultaneamente, e a terceira quase imediatamente depois) merece séria consideração. Na verdade, muitas pessoas religiosas atestaram grandes milagres e os aceitaram tendo como base o depoimento de uma testemunha e, no mundo secular, o depoimento de uma testemunha é suficiente para que haja severos julgamentos e penalidades. As pessoas experientes em avaliar testemunhos normalmente levam em consideração a oportunidade que as testemunhas tiveram de observar um acontecimento e a possibilidade de estarem sendo parciais. Quando testemunhas diferentes prestam testemunho idêntico sobre um mesmo acontecimento, os céticos procuram provas de que elas estejam envolvidas em um conluio ou procuram outras testemunhas que as contradigam.
A despeito de todas essas possíveis objeções, o depoimento das três testemunhas do Livro de Mórmon representa uma grande força. Aqueles três homens tiveram todos os motivos e oportunidades de renunciar a seu testemunho se fosse falso, de equivocarem-se nos detalhes se algum deles não fosse muito preciso. É fato conhecido que, devido a desentendimentos e à inveja envolvendo outros líderes da Igreja, os três foram excomungados de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias cerca de oito anos depois da publicação de seu depoimento. Cada um seguiu seu caminho, sem nenhum interesse comum de manter um conluio. No final da vida, contudo, (sendo que viveram de doze a cinqüenta anos depois da excomunhão) nenhuma dessas testemunhas negou o depoimento que foi publicado ou disse qualquer coisa que desse margem a alguma dúvida em relação à sua veracidade.
Além disso, o testemunho delas não foi contestado por nenhuma outra testemunha. Podemos até rejeitá-lo, mas como explicar que três homens de bom caráter sustentassem juntos esse depoimento impresso até o fim da vida, enfrentando o ridículo e outros problemas pessoais? Como acontece com o próprio Livro de Mórmon, não há melhor explicação do que o próprio testemunho, a solene declaração de homens bons e honestos que contaram o que viram.
Interesso-me particularmente por Martin Harris (...)
Quando o Livro de Mórmon foi publicado, Martin Harris tinha quase 47 anos de idade e era mais de vinte anos mais velho do que Joseph Smith e as outras duas testemunhas. Era um homem próspero e respeitado na cidade de Palmyra, Nova York. Possuía uma fazenda de mais de 240 acres, grande para a época e o lugar. Era um honrado veterano de duas batalhas da Guerra de 1812. Seus concidadãos confiaram-lhe muitos cargos eletivos e responsabilidades da comunidade. Era amplamente respeitado por seu trabalho e integridade. Segundo seus contemporâneos, era "um fazendeiro diligente e trabalhador, sagaz ao tomar decisões nos negócios, frugal em seus hábitos" e "estritamente correto nos negócios". (Citado em Richard Lloyd Anderson, Investigating the Book of Mormon Witnesses, 1981, pp. 9697, 98.)
As três testemunhas decaíram, cada uma a seu modo e perderam a posição de grande influência e autoridade que tinham. Durante o ano de 1837, houve sérios conflitos espirituais e financeiros em Kirtland, Ohio. Martin Harris disse, mais tarde, que "perdera a confiança em Joseph Smith" e que "sua mente ficara obscurecida". (Citado em Anderson, Investigating the Book of Mormon Witnesses, p. 110.) Ele foi desobrigado do sumo conselho em setembro de 1837 e, três meses depois, foi excomungado.
Quando a maioria dos santos mudou-se (de Missouri para Nauvoo, e para o Oeste) Martin Harris permaneceu em Kirtland. Lá, foi rebatizado em 1842, por um missionário que visitava a cidade. Em 1856, Carolyn e seus quatro filhos empreenderam a longa viagem para Utah, porém Martin, na época com 73 anos, permaneceu em sua propriedade em Kirtland. Em 1860, disse a um recenseador que era um "pastor mórmon", uma evidência de sua contínua lealdade ao evangelho restaurado. Mais tarde, disse a um visitante: "Eu nunca realmente abandonei a Igreja; foi a Igreja que me abandonou", significando, é claro, que Brigham Young conduziu a Igreja para o Oeste, e o velho Martin ficou em Kirtland. (Citado em William H. Homer Jr., "Publish It Upon the Mountains: The Story of Martin Harris", Improvement Era, julho de 1955, p.
505.)
Durante parte dos últimos anos que passou em Kirtland, Martin Harris encarregou-se de cuidar do templo, de que tanto gostava e que estava abandonado, fazia também o papel de guia. Alguns visitantes contaram que ele se isolara dos líderes da Igreja em Utah, mas que reafirmava ardorosamente seu testemunho, que fora publicado no Livro de Mórmon. Finalmente, em 1870, o desejo de Martin de reunir-se à família em Utah resultou num caloroso convite de Brigham Young, uma passagem para sua viagem e a companhia oficial de um dos presidentes dos Setenta. Um repórter de Utah que entrevistou esse homem de 87 anos descreveu-o como "extraordinariamente vigoroso para a idade (...) e de excelente memória". (Deseret News, 31 de agosto de 1870) Ele foi rebatizado, uma prática comum naquela época, e falou duas vezes para congregações neste Tabernáculo. Não possuímos nenhum relato oficial do que ele disse, mas temos certeza de sua mensagem principal já que mais de 35 pessoas deixaram relatos semelhantes sobre o que ele dissera naquele período. Uma pessoa relatou que Martin disse o seguinte:
"Não é meramente uma questão de crença, trata-se de conhecimento. Eu vi as placas e as inscrições que elas continham. Eu vi o anjo, e ele mostrou-as a mim." (Citado em Anderson, Investigating the Book of Mormon Witnesses, p.116.)
Quando reinterou seu testemunho do Livro de Mórmon nos últimos dias de sua vida, Martin Harris declarou: "Falo a vocês dessas coisas para que possam contar aos outros que o que eu disse é verdade e não ouso negar; ouvi a voz de Deus, ordenando-me que testificasse esse fato." (Citado em Anderson, Investigating the Book of Mormon Witnesses, p.118.)" ("A Testemunha: Martin Harris", Conferência Geral, Abril de 1999).
            O presidente James E. Faust falou sobre David Whitmer ao compartilhar a seguinte experiência:
"Certo domingo, o irmão James H. Moyle contou-nos uma experiência muito marcante. Quando jovem, ele foi para a Universidade de Michigan estudar direito. Ao terminar o curso, seu pai lhe disse que David Whitmer, uma das testemunhas do Livro de Mórmon, ainda estava vivo. O pai sugeriu que o filho aproveitasse para conversar com David Whitmer, face a face, em sua viagem de volta para Salt Lake City. O propósito do irmão Moyle era perguntar a David Whitmer algo a respeito de seu testemunho sobre as placas de ouro e o Livro de Mórmon.
Durante a conversa que teve com David Whitmer, o irmão Moyle perguntou: "O senhor é um homem idoso, e eu sou jovem. Estive estudando a respeito das testemunhas e seu depoimento. Peço que me conte a verdade a respeito de seu depoimento como uma das testemunhas do Livro de Mórmon". David Whitmer disse ao rapaz: "Sim, eu segurei as placas de ouro em minhas mãos, e elas nos foram mostradas por um anjo. Meu testemunho a respeito do Livro de Mórmon é verdadeiro". David Whitmer não era mais membro da Igreja, mas jamais negou seu testemunho da visita do anjo, de ter segurado as placas ou da veracidade do Livro de Mórmon. Ao ouvir pessoalmente essa notável experiência, diretamente dos lábios do irmão Moyle, meu crescente testemunho foi fortalecido de modo vigoroso e confirmador. Depois de ouvir esse testemunho, senti que tinha uma grande responsabilidade sobre os ombros." ("Um Testemunho Crescente", Conferência Geral, outubro de 2000; A Liahona, Janeiro de 2001, pg. 69).
            O presidente Henry B. Eyring, na época membro do Quorum dos Doze disse:
"As Três Testemunhas jamais negaram seu testemunho sobre o Livro de Mórmon. Não podiam fazê-lo, porque sabiam que era verdadeiro. Fizeram sacrifícios e enfrentaram
dificuldades muito maiores do que a maioria das pessoas tem conhecimento. Oliver Cowdery prestou esse mesmo testemunho da origem divina do Livro de Mórmon, em seu leito de morte. Mas nos momentos de provação, eles vacilaram em sua crença de que Joseph ainda era o profeta de Deus e de que a única maneira de achegarem-se ao
Salvador era por meio de Sua Igreja restaurada. O fato de terem continuado a afirmar aquilo que tinham visto e ouvido naquela maravilhosa experiência, durante seu longo
período de afastamento da Igreja e de Joseph, torna seu testemunho ainda mais vigoroso." ("Um Testemunho Duradouro da Missão do Profeta Joseph", A Liahona, Novembro de 2003, pg. 90)
            As Testemunhas do Livro de Mórmon eram homens dos mais variados: alguns eram homens de avançada idade (como Joseph Smith Sênior, de 57 anos), outros eram jovens (como Peter Whitmer Junior, de 19 anos); tinham as mais variadas profissões (por exemplo: Hiram Page era médico, Hyrum Smith, fazendeiro e Oliver Cowdery, professor); alguns eram parentes e outros não. O que os qualificou para receber um testemunho especial, todavia, foi a fé e obediência aos mandamentos de Deus. Seu depoimento torna-se uma grande pedra de tropeço para os que não querem acreditar no Livro de Mórmon.

PROVA 8: NÃO HÁ LIMITES PARA LIVROS

            Na conclusão da investigação que fez sobre a vida "debaixo do sol", o Pregador (provavelmente Salomão) percebe que a vida de "vaidades de vaidades" não vale a pena quando comparada a vida à serviço de Deus. Ele disse:
"Procurou o pregador achar palavras agradáveis, e escreveu-as com retidão, palavras de verdade.
As palavras dos sábios são como aguilhões; e como pregos, bem fixados pelos mestres das assembléias, que nos foram dadas pelo único Pastor. Além disso, filho meu, atenta, não há limites para fazer livros; e o muito estudar é enfado da carne.
De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau" (Eclesiastes 12:10-14).
            A frase "não há limites para se fazer livros" é significativa. A Bíblia que dispomos não contém todas as palavras de Deus. Ela foi reunida como se acha no início da Idade média. Alguns livros não forma acrescentados por mero capricho dos religiosos e líderes da época. A palavra Bíblia significa biblioteca ou conjunto de livros.
            Muitos dos livros que eram considerados escrituras para os israelitas foram extraviados, modificados e perdidos. Esses livros não se acham em nossa versão da Bíblia. Eis alguns:
1.            O Livro do Convênio (Êxodo 24:7)
2.            O Livro das guerras do Senhor (Números 21:14)
3.            O livro de Jasher (Josias 10:13, II Samuel 11:18)
4.            O livro dos atos de Salomão (I Reis 11:41)
5.            Samuel, o vidente (I Crônicas 29:29)
6.            Natã, o profeta (II Crônicas 9:29)
7.            Semaías, o profeta (II Crônicas 12:15)
8.            Ido, o profeta ((II Crônicas 13:22)
9.            Jéu (II Crônicas 20:34)
10.          O livro dos Videntes (II Crônicas 33:19)
11.          Enoque (Judas 1:14)
12.          Uma outra epístola aos Coríntios (I Coríntios 5:9)
13.          Uma outra epístola aos Efésios (Efésios 3:3)
14.          Uma epístola da Laodicéia (Colossenses 4:16)
15.          Uma outra epístola de Judas (Judas 1:3)
            Além disso, através da leitura do Livro de Mórmon aprendemos sobre outros profetas que deveriam ter suas palavras registradas na Bíblia. São eles: Zenoque, Neum, Zenos e Ezias (Jacó 5:1, Helamã 8:20). A primeira escritura - o Livro de Recordações de Adão (Moises 6:5) está atualmente perdido.
            Como Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8), e como tudo o que Jesus fez não poderia ser contido em muitos livros (João 21:25) não é lógico recusar um registro adicional de Deus.
            Na verdade cremos que ainda haverá mais revelações e livros sagrados no futuro (Regra de Fé 9). Tudo que esta encoberto, inclusive os livros que foram perdidos e são mantidos em oculto pelo Senhor, serão trazidos a luz (1 Néfi 13:39, 2 Néfi 29:12-14).
            Além disso o Senhor deu sua opinião sobre os livros Apócrifos que existiam na época de Joseph Smith:
            "EM verdade, assim vos diz o Senhor com referência aos Apócrifos: Há muitas coisas neles que são verdadeiras e estão, na maior parte, traduzidas corretamente.
         Há muitas coisas neles que não são verdadeiras, que são acréscimos feitos pelas mãos de homens.
        Em verdade vos digo que não é necessário que se traduzam os Apócrifos. Portanto, aquele que os ler que compreenda, pois o Espírito manifesta a verdade;
        E aquele que for iluminado pelo Espírito se beneficiará com eles; E aquele que não receber pelo Espírito não poderá ser beneficiado. Portanto não é necessário que sejam traduzidos. Amém" (D&C 91).
         A compreensão de que o Senhor não se restringe ao livro que hoje chamamos de Bíblia torna-se uma evidencia da autenticidade do Livro de Mórmon.

PROVA 4: O REGISTRO DE JOSÉ

            O profeta Ezequiel predisse a restauração espiritual e física da casa de Israel. Mas antes de analisar a escritura devo esclarecer algo sobre o dualismo.
            Os profetas do Velho Testamento, especialmente os que se encontram entre os livros de Salmos à Malaquias tem a tendência de usar o dualismo – uma única passagem com dois significados diversos. Falando sobre como podemos entender o livro de Isaías, o Manual do Velho Testamento do Aluno (Curso de Religião 302) explica: “Como acontece freqüentemente nos pronunciamentos proféticos, certos escritos têm duplo sentido; isto é, podem ser aplicados em mais de um sentido ou cumprir-se mais de uma vez. Às vezes, também combina frases dualistas com termos dirigidos ou que só devem ser entendidos por determinado grupo. Essa linguagem esotérica trás a mente conceitos religiosos que só os possuidores da própria formação religiosa compreendem sem maiores explicações” (“Compreender Isaías”, pg. 133).
            Deve ser por causa desse “modo de profetizar dos judeus” todo especial que Lamã e Lemuel, irmãos mais velhos de Néfi, constantemente se perguntavam se as doutrinas e profecias deviam ser compreendidas segundo a carne ou se sua aplicação se referia a coisas futuras (1 Néfi 15:31). A resposta incluía o conceito de dualismo (1 Néfi 15:32 e 22:3).
            O dualismo, o paralelismo, a quiasma (ou o quiasmo), a alegoria, a parábola e outras figuras de linguagem são recorrentes na literatura hebraica – e, portanto, em boa parte das escrituras que dispomos.
            Como saber quando o dualismo esta sendo usado? Nem mesmo com estudo aprofundado é fácil discernir e interpretar corretamente. Exige-se muito do Espírito do Senhor. Em Ezequiel 37, por exemplo, a primeira parte do capitulo (v. 1-14) é sem dúvida uma profecia dualista: fala-se da ressurreição de Israel e da restauração espiritual da Israel (que aconteceria bem antes da ressurreição física). Depois na segunda parte do capítulo (v. 15-28) a profecia passa a ser especifica – falando como se dará a preparação tanto para a restauração quanto para ressurreição.
            E é sobre a profecia de Ezequiel 37:16-17 (transcrita abaixo) que falarei agora. Essa profecia é uma evidência poderosa da autenticidade do Livro de Mórmon, contra qual poucos ousam duvidar devido a clareza da mensagem.
          “Tu, pois, ó filho do homem, toma um pedaço de madeira, e escreve nele: Por Judá e pelos filhos de Israel, seus companheiros. E toma outro pedaço de madeira, e escreve nele: Por José, vara de Efraim, e por toda a casa de Israel, seus companheiros. E ajunta um ao outro, para que se unam, e se tornem uma só vara na tua mão.”
            Vara é o mesmo que registro nesta passagem. Antigamente acreditava-se que vara se referia a cetro ou bastão. Atualmente, porém, os estudiosos concordam com Joseph Smith para o significado da palavra.
            “A palavra hebraica etz, usada nessa passagem de Ezequiel tem o sentido básico de madeira (...). Em 593 a.C., quando foi chamado como profeta, Ezequiel vivia exilado na Babilônia (...). Caminhando pelas ruas de lá via os escribas típicos calcando seu afiado estilo em tabuletas de argila úmida, produzindo a complicada escrita cuneiforme. Mas os pesquisadores de hoje sabem que se faziam outros registros na Mesopotâmia: sobre papiro, pergaminho, e tabuletas de madeira. Embora apenas as tabuletas de argila hajam sobrevivido até hoje, seus escribas se referiram nelas aos outros tipos de material de escrita. (Um estilo de escrita era chamado ‘tabuleta de pau’)” (Manual de Religião do Velho Testamento do Aluno, Curso de Religião 302, 27-22, pg. 283).
            Descobertas arqueológicas tem demonstrado que nas tábuas de madeira serviam de base para um registro escrito sob a cera. Portanto, podemos entender que Ezequiel estava falando sobre registros escritos.
            Ele disse que dois registros seriam escritos – um por Judá e outro por Efraim. Como dez tribos foram dispersas e perdidas, os israelitas passaram a ser conhecidos como os judeus – pois a maioria dos hebreus era da tribo de Judá. A Bíblia chegou até nós pelos judeus (1 Néfi 13:20-29).
            O povo de Leí era descendente de José do Egito (2 Néfi 3:4). Leí era descendente de Manassés (Alma 10:3) e Ismael era descendente de Efraim. Os filhos de Leí casaram-se com os filhas de Ismael, conservando a descendência de José do Egito. É verdade que Zorã e os mulequitas eram provavelmente de outras tribos de Israel. Entretanto a descendência de José predominou em toda história do Livro de Mórmon.
            Alguns podem se perguntar como é possível que Leí e Ismael pertencessem a outra tribo que não fosse Judá e Benjamim, visto que as dez tribos que formavam o Reino do Norte (a qual se incluía Efraim e Manassés) já haviam sido levadas cativas 120 anos antes de Leí deixar Jerusalém. É fácil explicar isso ao estudar a história de Israel. Quando Jeroboão assumiu o governo das Dez Tribos, instituiu cultos idólatras para que seu povo não necessitasse ir ao Reino do Sul, em Jerusalém, adorar o verdadeiro Deus. Por causa, muitos justos deixaram o Reino do Norte unindo-se ao Reino do Sul:
                “Também os sacerdotes e os levitas, que havia em todo o Israel, se reuniram a ele de todos os seus termos. Porque os levitas deixaram os seus arrabaldes, e a sua possessão, e vieram a Judá e a Jerusalém, porque Jeroboão e seus filhos os lançaram fora para que não ministrassem ao SENHOR. E ele constituiu para si sacerdotes, para os altos, para os demônios, e para os bezerros, que fizera. Depois desses também, de todas as tribos de Israel, os que deram o seu coração a buscarem ao SENHOR Deus de Israel, vieram a Jerusalém, para oferecerem sacrifícios ao SENHOR Deus de seus pais. Assim fortaleceram o reino de Judá e corroboraram a Roboão, filho de Salomão, por três anos; porque três anos andaram no caminho de Davi e Salomão” (II Crônicas 1:13-17).
            “E reuniu a todo o Judá, e Benjamim, e com eles os estrangeiros de Efraim e Manassés, e de Simeão; porque muitos de Israel tinham passado a ele, vendo que o SENHOR seu Deus era com ele” (II Crônicas 15:9).
            O Senhor sabia que nos últimos dias muitos teriam dificuldades de acreditar na Bíblia também no Livro de Mórmon. Enquanto alguns resguardassem a Bíblia como a única fonte de adoração – excluindo qualquer outra escritura, outros seriam céticos a respeito de todo e qualquer texto sagrado.
            O Senhor dá uma lição a todos os que pensam assim em 2 Néfi 29. De acordo com esse capítulo o Senhor revelaria as “palavras dos nefitas” ou a “vara de Efraim” (pois os nefitas eram descendentes de Efraim e Manassés, filhos de José, do Egito) pelos seguintes motivos:
1.         “A fim de recordar os convênios que fiz com os filhos dos homens” – o Convênio do Evangelho, que é o Plano de Salvação, não tem eficácia sem as escrituras. Néfi entendia isso, por isso foi diligente em buscar as escrituras para seu povo (1 Néfi 4:6-24, 1 Néfi 5:11-22). Sem as escrituras os homens degeneram na incredulidade (Ômni 1:14-18). As escrituras convertem (Alma 37:9) e conduzem a Vida Eterna (João 5:39). É impossível que os homens conheçam os convênios sem escrituras. Uma das maiores provas de que o Senhor se recorda de seus filhos é quando concede novas revelações aos homens.
2.         “Para que eu estenda a mão pela segunda vez a fim de recuperar o meu povo” – como parte da predita restauração, a coligação só poderia acontecer com um novo volume de escrituras. A página rosto do Livro de Mórmon destaca que o livro foi escrito para mostrar aos remanescentes da casa de Israel “as grandes coisas do Senhor” e para que pudessem “conhecer os convênios do Senhor e saibam que não foram rejeitados para sempre”. O élder Russel M. Nelson, do Quorum dos Doze disse: “O surgimento do Livro de Mórmon é um sinal para o mundo inteiro de que o Senhor começou a coligar Israel e a cumprir os convênios que fez com Abraão, Isaque e Jacó. Não apenas ensinamos essa doutrina, mas também participamos dela. Fazemos isso ajudando a coligar os eleitos do Senhor nos dois lados do véu. O Livro de Mórmon é um ponto central dessa obra. Ele declara a doutrina da coligação. Faz as pessoas aprenderem a respeito de Jesus Cristo, a acreditarem em Seu evangelho e a filiarem-se à Sua Igreja. Na verdade, se não houvesse o Livro de Mórmon, a coligação prometida de Israel não aconteceria” (“A Coligação da Israel Dispersa”, Conferência Geral, sessão da manhã de domingo, outubro de 2006).
3.         Para que “eu me lembre das promessas que fiz a ti, Néfi, e também a teu pai, de que me lembraria da tua semente”. Para cumprir uma promessa especifica o Senhor preservaria um registro para abençoar os leítas dos últimos dias (1 Néfi 13:30-42).
4.         O Senhor criou “todos os homens” e ele se lembra “dos que estão nas ilhas do mar” e revela sua “palavra aos filhos dos homens, sim, a todas as nações da terra”. Portanto, Ele que quer salvar todos os seus filhos diz “as mesmas palavras, tanto a uma nação como a outra. E quando as duas nações caminharem juntas, os testemunhos das duas nações também caminharão juntos.” De fato, aprendemos que há uma só fé, um só batismo e um só Deus (Efésios 4:5-6).
5.         Deus é “o mesmo ontem, hoje e para sempre” (D&C 20:12, Hebreus 13:8)
6.         Porque Ele disse “uma palavra” não devemos presumir “que não possa dizer outras”; De fato somos ensinados nas escrituras que Seu “trabalho ainda não está terminado nem estará até o fim do homem nem desde aí para sempre” (João 5:17).
7.         Deus ordena “a todos os homens, tanto no leste como no oeste, tanto no norte como no sul e nas ilhas do mar, que escrevam as palavras que lhes digo.” Tais escrituras servem para convidar as pessoas a achegarem-se a Cristo (2 Néfi 25:26) e para servirem como parâmetro no dia do Julgamento Final – pois “pelos livros que forem escritos julgarei o mundo” disse o Senhor.
8.         “Os judeus terão as palavras dos nefitas e os nefitas terão as palavras dos judeus; e os nefitas e os judeus terão as palavras das tribos perdidas de Israel” – a coligação das escrituras se dará para que a coligação física e espiritual da Israel aconteça como profetizado.
        A Lei de Testemunhas é uma lei divina (II Coríntios 13:1, ver Prova 1). Deus sempre estabelece sua palavra com mais de uma testemunha (2 Néfi 27:14 e Éter 5:3-4). Assim, para que as verdades da Bíblia fossem confirmadas era necessário um registro adicional:
       Néfi explica que o Livro de Mórmon foi escrito para “convencer os gentios e os remanescentes da semente de meus irmãos e também os judeus que estavam dispersos por toda a face da terra, de que os registros dos profetas e dos doze apóstolos do Cordeiro (a Bíblia) são verdadeiros. E falou-me o anjo, dizendo: Estes últimos registros que viste entre os gentios (O Livro de Mórmon e outras revelações) confirmarão a verdade dos primeiros (a Bíblia), que são dos doze apóstolos do Cordeiro, e divulgarão as coisas claras e preciosas que deles foram suprimidas; e mostrarão a todas as tribos, línguas e povos que o Cordeiro de Deus é o Filho do Pai Eterno e o Salvador do mundo; e que todos os homens devem vir a ele, pois do contrário não poderão ser salvos (1 Néfi 13:39-40).”